domingo, 24 de julho de 2011

Resumo histórico da educação em Juazeiro do Norte - Por Amália Xavier de Oliveira


Quero confirmar o que afirmo quando digo: Escola Normal Rural, "Célula Mater" do desenvolvimento cultural de Juazeiro, convidando os que me quiserem ouvir, para dar um passeio nesta Juazeiro do Norte indo do presente em 1934 a um passado dos últimos anos do século 19 e primeiros anos do século 20.
Século 19 — 1860: A primeira Escola Régia, localizada em Juazeiro - Professor — o Capelão Pe. Antônio de Almeida que, em 1865, alistou-se no Batalhão dos Combatentes da Guerra do Paraguai. Foi substituído pelo Prof. Simião Correia de Macedo, que teve como sucessor seu irmão, Pedro Correia de Macedo.
Na década de 1880 foi criada a segunda Escola, regida pela Professora D. Naninha ou Ana Joaquina de São José, que criou Joana Tertulina de Jesus, beata Mocinha. D. Naninha ou Ana Joaquina de São José era casada com o Sr. Vicente de Oliveira Mota.
Ainda na era de 1880, duas professoras foram preparadas para assumir o cargo nas duas cadeiras existentes: foram elas D. Generosa Landim e D. Carolina Sobreira Lobo.
Na década de 1890 o Padre Cícero localizou quatro Escolas Particulares: duas masculinas; a primeira regida por Guilherme Ramos de Maria, e a segunda por Mestre Miguel. Duas femininas: a primeira regida por Izabel Montezuma da Luz e a segunda por Maria Cristina de Jesus Castro, Mensalidade a pagar: 10 tostões.
Século 20 - primeira e segunda décadas: Apareceram outras escolas particulares: Francisco Belmiro Maia; José Joaquim Teles Marrocos e Raimundo Siebra.
Em 1912 uma Escola Pública - professora Maria Luíza Furtado Landim.
Em 1914 - Josefa de Alcântara Leite de Alencar.
Em 1916 - Dr. Floro Bartholomeu da Costa instalou algumas escolas municipais, nomeando para duas delas: Donata Bezerra de Araújo e Maria Conceição Esmeraldo.
Mais ou menos em 1920, talvez, mais duas escolas públicas regidas por duas professoras: Adelaide Sousa Melo e Raimunda Lemos. Estas professoras sobressaíram, na época, ensinando: Português, Matemática, Geografia, História, Ciências. Fizeram mais: faziam-se presentes com os seus alunos nas festas religiosas, sociais e políticas.
Em 1922, o Pedagogo Professor Lourenço Filho, chamado de São Paulo pelo Presidente Serpa para Diretor da Instrução no Ceará, iniciou a Reforma no Curso Normal.
Em 1923, diploma-se a primeira Turma da Reforma Lourenço Filho. Dela fazia parte a juazeirense Maria Gonçalves da Rocha Leal, que recebeu, como prêmio, uma cadeira em 1924, localizada em Juazeiro.
Em 1927, as 5 cadeiras primárias e isoladas, existentes na cidade, foram agrupadas e a Direção entregue à professora Maria Gonçalves, que com Stela Pita, Leonina Sobreira Milfont, Adelaide Melo e Elvira Medeiros, constituíram o Grupo, onde os alunos faziam até o 3.° ano primário.
Em 1928, chega a Juazeiro a segunda juazeirense que conseguia um diploma de professora no Colégio das Dorotéias de Fortaleza, equiparado à Escola Normal. Era esta que aqui vos fala e responde pelo nome de Amália. Não conseguindo uma cadeira, abriu um curso particular, onde recebia alunos, dos quais sito alguns ainda entre nós: Joãozinho e Zezinho Figueiredo, Hildegardo e Zuíla Belém, Assunção Gonçalves, Diva Pinheiro,  Dolores Augusto, Lourival  Marques (da Rádio Nacional), Papírio Carleial,  Engenheiro,  residente no Estado da Bahia.  Ainda em 1928, assume a Diretoria do Grupo, Nina Sobreira Milfont, substituindo Maria Gonçalves, que resolvera passar uma temporada em Cucaú, usina perto de Recife.   Somente em 1929 no Governo de Matos Peixoto, com Moreira de Sousa na  direção da Instrução, foi criada mais uma cadeira no Grupo Escolar e a professora Amália Xavier de Oliveira foi chamada para ensinar na 4ª Série do Grupo.  No fim do ano receberam certificados do Curso Primário, numa sessão soleníssima, presidida pelo Padre Cícero,  19 alunos, cujos nomes de alguns, vão aqui citados: Assunção Gonçalves, Doralice Soares, Dos anjos Soares,  Elza Pimentel, Maroli  Melo,  Dolores Augusto,  Maria  Neném  de  França,  Lourival Marques (da Rádio Nacional), Engenheiro Papírio Carleial.
O desenvolvimento cultural de Juazeiro, em 1929, atingiu o 1primeiro degrau na escada ascensional, chegando ao 4.° Ano Primário.   Era pouco demais para uma cidade que crescia a olhos vistos em outros setores.  Havia ainda três colégios particulares: 1.° - O São Miguel, colégio masculino - Diretor, Dr. Manoel Pereira Diniz. 2.° - O São Geraldo, colégio misto - Diretor-proprietário, Prof., Edmundo Milfont. 3. ° - O Professor Anchieta Gondim, também colégio misto. Precisava mais alguma cousa.  Recursos parcos não permitiam aos pais educarem seus filhos fora da cidade.
A redenção estava perto: Carneiro de Mendonça na Interventoria do Ceará; Moreira de Sousa, na Direção do Ensino; Lourenço Filho na Direção do Instituto de Educação no Rio; Anízio Teixeira na Direção do Ensino no Rio; Gustavo Capanema no Ministério de Educação; Leoni Kasefi, coordenando cursos de aperfeiçoamento no Instituto de Educação, no Rio, pondo à disposição do Ceará 10 bolsas  de Estudos para Professores; Moreira de Sousa, enviando 10 professoras para a Curso de Aperfeiçoamento; Sud Menucci, em São Paulo, estudando as bases dos métodos de ensino pregados por Alberto Torres. Conclusão desse movimento renovador: A Educação  que convém ao Brasil é a Educação Rural, pois o Brasil é uma imensa zona rural. A conclusão foi arrojada.  Os estudiosos puseram-se em campo e, concluíram: Vamos escolher a Escola para o meio a que se destina: Zona Rural - Escola Rural; isto é, Escola que ensine ao homem do campo a "viver no campo, do campo, pelo campo e para o campo”.   Tem que ser diferente; estudemos suas bases e vamos por em prática. A Escola precisa ensinar a viver. O homem para viver não precisa somente aprender a ler, escrever e contar. A Escola que convém é aquela que dá ao homem os meios para viver em seu ambiente, melhorando-o, desenvolvendo-o, orientando suas condições de vida. Enfim é a Escola de acordo com a região a que deve servir. Esta era a Escola sonhada por Moreira de Sousa para o Ceará, realizada por Plácido Castelo no Juazeiro.
Nasceu do idealismo destes dois grandes cearenses. Teve sua infância bafejada pelo prestígio dos entendidos e alimentada com o sacrifício dos que lhe ensinaram a dar os primeiros passos. Da infância à idade adulta, lutou para vencer. Atingiu a meta, razão de ser de sua existência - beneficiar a juventude, preparando o brasileiro digno do Brasil, o cearense digno do seu nome, o juazeirense para valorizar sua terra natal. Até 1973, 66 turmas se sucederam entregando ao Brasil centenas de professores rurais.
Não era uma simples Escola Normal Rural. Vieram depois os Cursos: Ginasial e Colegial. Diversos alunos com certificados do Curso Colegial, enfrentaram o Vestibular para as Faculdades em Recife, Fortaleza, e no ano seguinte podia atender pelo título de Acadêmico. Em 1972 passou a chamar-se Centro Educacional Professor Moreira de Sousa. Por força da Reforma, deu em 1973 a última turma de professoras especializadas para a Zona Rural. Em 1974 saiu a primeira Turma de Professoras do Normal Pedagógico Comum.

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