quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O violino do Padre Cícero – por Joaquim Bezerra de Menezes (*)

Padre Cícero Romão Batista trouxe dois violinos de Roma. Um deles para um sobrinho e o outro foi presenteado ao tabelião Antônio Machado, seu afilhado, por quem o sacerdote nutria grande afeto. Machadinho, como também era conhecido, foi tabelião no Crato por muitos anos. O instrumento, marca Maggini, modelo 1715, provavelmente foi adquirido de segunda mão, uma vez que havia deixado de ser fabricado décadas antes.
 No fundo do instrumento, embaixo do tampo, foi colado um papel e nele consta “Adquirido pelo Pe. Cícero em Roma – Itália 1898, of a Antônio Machado em 26/03/1929 – Ceará – Juazeiro”.
  Antônio Machado cedeu o violino ao músico Paulino Galvão que passava uma temporada em Fortaleza. Indo morar no Rio de Janeiro, Paulino Galvão foi colega de orquestra do violinista cratense Virgílio Arraes, spalla da Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal do RJ. Tocaram em outras orquestras e trabalharam juntos em muitas ocasiões, inclusive gravações de cantores da MPB de primeira linha. O dono do violino requereu aposentadoria e mudou-se para uma cidade do interior do Rio de Janeiro, deixando de tocar profissionalmente. Uma curiosidade: apesar de raro e do valor incalculável, a peça musical jamais foi comercializada após chegar ao Brasil, foi sucessivamente passada de mãos em mãos.
  Passado alguns anos, Virgílio resolveu visitar o antigo colega na cidade onde estava morando e manifestou desejo de adquirir o violino que pertencera ao fundador de Juazeiro do Norte. O músico aposentado respondeu que o instrumento era valioso demais para ser vendido e por esta razão não vendia. Mas na hora da despedida pediu para o visitante aguardar um pouco, foi ao interior da casa e retornou com o instrumento raro, entregou ao amigo dizendo que era presente. Apenas pediu que cuidasse bem dele.
Assim, o violino único, que pertenceu ao Padre Cícero, foi parar nas mãos de um cratense, e está bem guardado e bem conservado.

Virgílio Arraes Filho
O proprietário do violino histórico, Virgílio Arraes Filho, merece capítulo à parte. Nascido no Crato, filho de Virgílio Arraes e de Marcionilia de Alencar Arraes, surpreendeu sua mãe quando, aos oito anos, afinou e tocou o bandolim a ela pertencente, sem nunca ter tido uma única aula de música. Diante do prodígio, seus pais procuraram o maestro da banda municipal para que lhe transmitisse noções da 1ª arte. Ainda criança, ouviu uma música no rádio e sentiu-se atraído pelo som do violino, que jamais havia visto. Comunicou aos pais que não queria mais tocar bandolim e sim violino. “Seu” Virgílio (proprietário da primeira sorveteria do Crato – Sorveteria Brasil - e ex-prefeito de Campos Sales, onde nasceu) mandou buscar o instrumento no Rio de Janeiro. Resolvido um problema, surgiu outro: não havia professor no Cariri. A família mudou-se para Fortaleza. Os mestres da capital cearense perceberam o enorme talento do aluno e aconselharam o aluno brilhante ir estudar na então capital brasileira, o Rio de Janeiro.
 No Rio de Janeiro a carreira foi meteórica: primeiro lugar no vestibular na escola de música da UFRJ (1953), primeiro colocado no concurso público para a orquestra do Teatro Municipal, onde foi o primeiro violonista (“Spalla”) durante muitos anos. Músico da Orquestra Sinfônica Brasileira, da orquestra da TV Globo e muitos outros feitos. Único músico a tocar no cinquentenário (1959) e centenário do Teatro Municipal do RJ. Em seu currículo constam performances nos mais importantes palcos do mundo, inclusive com a orquestra do Royal Ballet de Londres, onde foi aplaudido pela realeza Inglesa e recebeu cumprimentos pessoais da princesa Anne.
  Participou de gravações com consagrados nomes da MPB, como Roberto Carlos, Chico Buarque de Holanda, Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Simone, Fagner, Djavan, Dalva de Oliveira, Orlando Silva e muitos outros.

(*) Joaquim Arraes de Alencar Pinheiro Bezerra de Menezes, economista cratense, residente em Recife (PE).
(Postagem original: http://catadoradeversos.blogspot.com) 
Na foto, tirada em 31.07.2011, aparecem Virgílio Arraes e o Padre Ágio.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A I FIC - Por Aderson Borges de Carvalho


Chegava do Rio e São Paulo e fui convidado para uma reunião no Clube dos Doze. Por iniciativa de João Barbosa, socialmente, sempre atuante, projetava-se a realização de uma festa naquele clube, precedida de disputa para a eleição da "Rainha", entre seis jovens beldades de nossa terra, que teriam patrocínio de indústrias locais. A idéia era interessante, mas na minha ótica, sem retorno aos patrocinadores, em termos de eficiência publicitária, por realizar-se num salão, que, elitista, seria inibidor da presença de pessoas, socialmente mais modestas. Sugeri então que déssemos maior amplitude ao evento, partindo para uma mostra onde os expositores fossem indústrias de toda a região, já que estávamos empolgados e ansiosos pelo sucesso do "Plano Asimov" em incipiente implantação. A minha proposta foi aceita, mas "o feitiço caiu por cima do feiticeiro": Fui aclamado Presidente do Comitê de Organização, com Aldemir Sobreira e João Barbosa, na secretaria e tesouraria, respectivamente. Teríamos o apoio do Rotary, Lions e Câmara Júnior. Esse apoio não o tivemos em bloco, mas de um ou outro filiado, entre os quais destaco os odontólogos, Luiz de Souza e Edval Almeida, Manoelito Vitorino, Francisco Moreira, Dr. Ivan Barros, mais um ou outro, que não me vem à memória. O apoio de Valtemar Aquino, gerente do Banco do Nordeste, foi decisivo, pelo seu trabalho de estímulo e persuasão junto aos industriais clientes da agência, que assistidos financeiramente, ao exporem seus produtos, promoviam, também a "conterrânea" instituição bancária.
Tinha uma idéia geral do que seria um certame desse porte enquanto eficiente meio de publicidade, que muito visitara nas amiudadas viagens ao Sul do País e capitais nordestinas. Com as adesões que foram chegando, demos início a estruturação e adaptação de toda a área coberta ou não, do Treze Atlético Juazeirense, (antiga sede) na Praça São Vicente. Os stands iam sendo preparados, os convites expedidos para as mais altas autoridades do país e do estado, Presidente, Ministros, Governador, Secretários, Deputados, com dia e hora marcados.
Indo o Dr. Luiz de Souza a Fortaleza, pedi-lhe que fizesse um trabalho de divulgação pelos meios de comunicação, através de entrevistas e comentários. Dias depois, a complicação: o Delegado do Ministério da Indústria e Comércio, por telegrama avisava ao Prefeito Mauro Sampaio - que não participava da promoção, - e aos presidentes do Rotary, Lions e Câmara Júnior, que a feira estava proibida de funcionar, por descumpri-mento das exigências legais sobre feiras e exposições. Rápido, procurei os destinatários, para que nada divulgassem. Na Prefeitura encontrei Coelho Alves, da Rádio Iracema, já senhor do assunto e pedi-lhe que não veiculasse a notícia até que voltasse de Fortaleza onde me encontraria pessoalmente com o Delegado. Coelho Alves, juazeirófilo, mais que radialista e publicitário, sofreou os ímpetos de repórter ávido por notícias sensacionais, dando realce ao seu acendrado sentimento de juazeiridade. No silencio, um grito de amor às coisas do Juazeiro.
Sem a sua silenciosa colaboração, seria inevitável a desistência dos expositores, debalde todo o esforço despendido em mais de dois mil quilômetros que rodei em muitos dias de entusiástico e exaustivo trabalho; tudo desabaria, soterrando no conceito público, a minha reputação de homem confiável, conquistada durante anos de coerência e lealdade aos compromissos assumidos.
Em Fortaleza, pedi ao meu primo Wilson Machado, informações sobre quem era o Dr. Edgar Damasceno. A informação foi de que se tratava de um senhor polido e acessível ao diálogo. O informe era correto, mas a proibição da feira, reafirmada. Mostrou-me a lei que, taxativa, impunha também uma maratona burocrática, que deveria começar pelo menos noventa dias antes da abertura da exposição. Perguntei-lhe o que aconteceria a infratores dessa Lei.
-Sofrerá penalizações variáveis, dependendo da gravidade da transgressão.
-O que o senhor faria, caso ousássemos levar à frente, o empreendimento?, - perguntei.
É uma hipótese não prevista, mas poderíamos até recorrer à ação das Forças Armadas. Estávamos em outubro de 1967. Ditadura! Fiquei quase sem alento para conversar. Lembrei-me de que o General Dilermando Monteiro, Comandante da 10a Região, estava no Cariri supervisionando as tropas em manobras. Apareceu um raio de esperança, mas não o externei. Encorajei-me para reiniciar o diálogo:
Senhor Delegado, está tudo pronto para a abertura do evento, convidei as mais altas autoridades, inclusive o Presidente e os Ministros, o Governador, Secretários, o certame é patrocinado por clubes de serviço sem fins lucrativos, ignorávamos a Lei; o "Diário da Republica," nem os juizes e promotores o recebem; num país com enorme contingente de analfabetos é até irônica a chapa "entrará em vigor na data da publicação no Diário Oficial", e que ninguém poderá alegar ignorância da Lei, e quejandos. Sei que o senhor entende tudo, mas eu lhe digo, que não é concebível que alguém seja penalizado por querer promover a sua terra, a sua região, o que é sem dúvida, um patriótico esforço de integração no contexto do País.
Senti que o Dr. Damasceno se sensibilizara com os meus argumentos, mas que nada podia fazer. Fui em frente, e arrisquei:
Se alguém tiver de ser punido porque deseja promover a sua terra, que seja eu, pois sou o mais empolgado e comprometido com a iniciativa. Vislumbrei na sua face bem menos anuviada um tênue ar de riso. Continuei.
-Eu queria que o senhor, sem se julgar ofendido, permitisse usar sua máquina, papel e carbono, para oficiar ao Sr. Ministro, relevando a sua vigilância quanto ao cumprimento da Lei, mas pedindo consentimento especial para o nosso caso.
Ele acedeu sorrindo, e ainda mandou o ofício no malote oficial.
Fiquei aliviado, mas precisávamos de dinheiro para evitar falta de recursos na reta final. Encontrei com o ilustre economista juazeirense, Dr. Itamar Pereira de Matos, que era da Secretaria do Planejamento, pedi-lhe ajuda e em tempo recorde, agilizando a tramitação burocrática, entregou-me na mão, um cheque de três mil e duzentos cruzeiros, lamentando que a verba para esse fim já estivesse esgotada.
A realização do certame não estava assegurada, mas confiando num desfecho feliz, fui em frente com os companheiros. Visitei o Gal. Dilermando Monteiro na residência do Sr. José Maria de Figueiredo, falei da nossa feira, sem qualquer alusão ao incidente de ordem legal, ofereci-lhe uma área, pedindo-lhe que a utilizasse para a exposição de armas e apetrechos bélicos. Aceitou agradecido. No dia aprazado, abriu a feira, o Vice-Governador Elery Barreira, no dia seguinte chega o Dr. Damasceno, sorridente, com a credencial de representante do Sr. Ministro da Indústria e Comércio.
Por iniciativa de Dona Zuíla Morais, numa palhoça, funcionou a boate "Maria Bonita," onde os militares, uma noite, jantaram e dançaram com a licença daquele "SENHOR GENERAL", como a oficialidade se referia ao saudoso comandante, que também, democraticamente, se divertiu a valer.
Houve um show com Caubi Peixoto e Ângela Maria, sucesso absoluto. Tivemos stands que dignificariam qualquer Exposição. A FIC, ainda hoje é lembrada com saudade pelos daquele tempo, foi trabalhosa, mas para mim, particularmente, trouxe a deliciosa sensação que se tem, quando numa partida de xadrez, ante iminente derrota, com um só e inspirado lance, passamos para uma posição vencedora. Não foi a primeira vez que me vi quase derrotado e terminei vencedor, em situações idênticas, embora de menor significado social, com otimismo e bom senso.
Tudo bonito, mas o nosso sofrimento moral ninguém soube nem podia saber e muito menos avaliar. Sim... aquele "I", no título é algarismo romano. A Lei proíbe o uso de algarismos arábicos, para designar a ordem seqüencial de feiras e exposições. Isso eu aprendi. A nossa era a 1ª FIC.
Quem quiser fazer a segunda, fique sabendo. Essa, a minha gratuita contribuição aos interessados.
18/01/1999
Transcrito do livro Crônicas do Cariri, do autor.





COMENTÁRIO RECEBIDO:
Como é bonita a História, como homens decididos e predestinados organizam uma peleja. Eu era criança nesta epoca e estive nesta feira pois foi defronte da minha casa, no TREZE colado ao Grupo Pe.Cicero- 1a-FIC.
 Aderson Borges  foi primordial para o crescimento da cidade.
 A 1a-FIC foi um marco para todos nós desta terra, não existe um único Juazeirense que não se lembre deste marco. Eu agradeço hoje o esforço aplicado naquela época, não conhecia  esta face dos bastidores como conheço hoje nas organizações dos Congressos Médicos que participo, só quem comanda e organiza é quem sabe, para nós esta Feira foi um SUCESSO.
 Juazeiro aplaude estes desbravadores.
Precisa o juazerense  saber mais.
Um abraço,do amigo.
 Iderval Reginaldo Tenório
Juazeirense ( Médico em Salvador)
http://www.iderval.blogspot.com
driderval@bol.com.br

domingo, 24 de julho de 2011

Resumo histórico da educação em Juazeiro do Norte - Por Amália Xavier de Oliveira


Quero confirmar o que afirmo quando digo: Escola Normal Rural, "Célula Mater" do desenvolvimento cultural de Juazeiro, convidando os que me quiserem ouvir, para dar um passeio nesta Juazeiro do Norte indo do presente em 1934 a um passado dos últimos anos do século 19 e primeiros anos do século 20.
Século 19 — 1860: A primeira Escola Régia, localizada em Juazeiro - Professor — o Capelão Pe. Antônio de Almeida que, em 1865, alistou-se no Batalhão dos Combatentes da Guerra do Paraguai. Foi substituído pelo Prof. Simião Correia de Macedo, que teve como sucessor seu irmão, Pedro Correia de Macedo.
Na década de 1880 foi criada a segunda Escola, regida pela Professora D. Naninha ou Ana Joaquina de São José, que criou Joana Tertulina de Jesus, beata Mocinha. D. Naninha ou Ana Joaquina de São José era casada com o Sr. Vicente de Oliveira Mota.
Ainda na era de 1880, duas professoras foram preparadas para assumir o cargo nas duas cadeiras existentes: foram elas D. Generosa Landim e D. Carolina Sobreira Lobo.
Na década de 1890 o Padre Cícero localizou quatro Escolas Particulares: duas masculinas; a primeira regida por Guilherme Ramos de Maria, e a segunda por Mestre Miguel. Duas femininas: a primeira regida por Izabel Montezuma da Luz e a segunda por Maria Cristina de Jesus Castro, Mensalidade a pagar: 10 tostões.
Século 20 - primeira e segunda décadas: Apareceram outras escolas particulares: Francisco Belmiro Maia; José Joaquim Teles Marrocos e Raimundo Siebra.
Em 1912 uma Escola Pública - professora Maria Luíza Furtado Landim.
Em 1914 - Josefa de Alcântara Leite de Alencar.
Em 1916 - Dr. Floro Bartholomeu da Costa instalou algumas escolas municipais, nomeando para duas delas: Donata Bezerra de Araújo e Maria Conceição Esmeraldo.
Mais ou menos em 1920, talvez, mais duas escolas públicas regidas por duas professoras: Adelaide Sousa Melo e Raimunda Lemos. Estas professoras sobressaíram, na época, ensinando: Português, Matemática, Geografia, História, Ciências. Fizeram mais: faziam-se presentes com os seus alunos nas festas religiosas, sociais e políticas.
Em 1922, o Pedagogo Professor Lourenço Filho, chamado de São Paulo pelo Presidente Serpa para Diretor da Instrução no Ceará, iniciou a Reforma no Curso Normal.
Em 1923, diploma-se a primeira Turma da Reforma Lourenço Filho. Dela fazia parte a juazeirense Maria Gonçalves da Rocha Leal, que recebeu, como prêmio, uma cadeira em 1924, localizada em Juazeiro.
Em 1927, as 5 cadeiras primárias e isoladas, existentes na cidade, foram agrupadas e a Direção entregue à professora Maria Gonçalves, que com Stela Pita, Leonina Sobreira Milfont, Adelaide Melo e Elvira Medeiros, constituíram o Grupo, onde os alunos faziam até o 3.° ano primário.
Em 1928, chega a Juazeiro a segunda juazeirense que conseguia um diploma de professora no Colégio das Dorotéias de Fortaleza, equiparado à Escola Normal. Era esta que aqui vos fala e responde pelo nome de Amália. Não conseguindo uma cadeira, abriu um curso particular, onde recebia alunos, dos quais sito alguns ainda entre nós: Joãozinho e Zezinho Figueiredo, Hildegardo e Zuíla Belém, Assunção Gonçalves, Diva Pinheiro,  Dolores Augusto, Lourival  Marques (da Rádio Nacional), Papírio Carleial,  Engenheiro,  residente no Estado da Bahia.  Ainda em 1928, assume a Diretoria do Grupo, Nina Sobreira Milfont, substituindo Maria Gonçalves, que resolvera passar uma temporada em Cucaú, usina perto de Recife.   Somente em 1929 no Governo de Matos Peixoto, com Moreira de Sousa na  direção da Instrução, foi criada mais uma cadeira no Grupo Escolar e a professora Amália Xavier de Oliveira foi chamada para ensinar na 4ª Série do Grupo.  No fim do ano receberam certificados do Curso Primário, numa sessão soleníssima, presidida pelo Padre Cícero,  19 alunos, cujos nomes de alguns, vão aqui citados: Assunção Gonçalves, Doralice Soares, Dos anjos Soares,  Elza Pimentel, Maroli  Melo,  Dolores Augusto,  Maria  Neném  de  França,  Lourival Marques (da Rádio Nacional), Engenheiro Papírio Carleial.
O desenvolvimento cultural de Juazeiro, em 1929, atingiu o 1primeiro degrau na escada ascensional, chegando ao 4.° Ano Primário.   Era pouco demais para uma cidade que crescia a olhos vistos em outros setores.  Havia ainda três colégios particulares: 1.° - O São Miguel, colégio masculino - Diretor, Dr. Manoel Pereira Diniz. 2.° - O São Geraldo, colégio misto - Diretor-proprietário, Prof., Edmundo Milfont. 3. ° - O Professor Anchieta Gondim, também colégio misto. Precisava mais alguma cousa.  Recursos parcos não permitiam aos pais educarem seus filhos fora da cidade.
A redenção estava perto: Carneiro de Mendonça na Interventoria do Ceará; Moreira de Sousa, na Direção do Ensino; Lourenço Filho na Direção do Instituto de Educação no Rio; Anízio Teixeira na Direção do Ensino no Rio; Gustavo Capanema no Ministério de Educação; Leoni Kasefi, coordenando cursos de aperfeiçoamento no Instituto de Educação, no Rio, pondo à disposição do Ceará 10 bolsas  de Estudos para Professores; Moreira de Sousa, enviando 10 professoras para a Curso de Aperfeiçoamento; Sud Menucci, em São Paulo, estudando as bases dos métodos de ensino pregados por Alberto Torres. Conclusão desse movimento renovador: A Educação  que convém ao Brasil é a Educação Rural, pois o Brasil é uma imensa zona rural. A conclusão foi arrojada.  Os estudiosos puseram-se em campo e, concluíram: Vamos escolher a Escola para o meio a que se destina: Zona Rural - Escola Rural; isto é, Escola que ensine ao homem do campo a "viver no campo, do campo, pelo campo e para o campo”.   Tem que ser diferente; estudemos suas bases e vamos por em prática. A Escola precisa ensinar a viver. O homem para viver não precisa somente aprender a ler, escrever e contar. A Escola que convém é aquela que dá ao homem os meios para viver em seu ambiente, melhorando-o, desenvolvendo-o, orientando suas condições de vida. Enfim é a Escola de acordo com a região a que deve servir. Esta era a Escola sonhada por Moreira de Sousa para o Ceará, realizada por Plácido Castelo no Juazeiro.
Nasceu do idealismo destes dois grandes cearenses. Teve sua infância bafejada pelo prestígio dos entendidos e alimentada com o sacrifício dos que lhe ensinaram a dar os primeiros passos. Da infância à idade adulta, lutou para vencer. Atingiu a meta, razão de ser de sua existência - beneficiar a juventude, preparando o brasileiro digno do Brasil, o cearense digno do seu nome, o juazeirense para valorizar sua terra natal. Até 1973, 66 turmas se sucederam entregando ao Brasil centenas de professores rurais.
Não era uma simples Escola Normal Rural. Vieram depois os Cursos: Ginasial e Colegial. Diversos alunos com certificados do Curso Colegial, enfrentaram o Vestibular para as Faculdades em Recife, Fortaleza, e no ano seguinte podia atender pelo título de Acadêmico. Em 1972 passou a chamar-se Centro Educacional Professor Moreira de Sousa. Por força da Reforma, deu em 1973 a última turma de professoras especializadas para a Zona Rural. Em 1974 saiu a primeira Turma de Professoras do Normal Pedagógico Comum.

sábado, 16 de julho de 2011

A NOITE DOS CACETEIROS -Por Fernando Maia Nóbrega

                                                           “Vivas a meu padim Padre Cícero
                                                           e a Santa Virgem Mãe de Deus”
                                                                       (Grito dos Caceteiros)
                                                                                 
1 - Súmula
Envolvidos:    Romeiros
Local:              Juazeiro do Norte - Igreja de N.Sra. das Dores
Data:               Novembro de 1.934
Motivo:           Invasão à Igreja de N.Sra. das Dores em virtude do receio de que os comunistas     retirassem do altar a          imagem da Santa.
Causa Mortis:             Tiros de fuzil
Acusados:       Contingente da polícia militar sob o comando do sargento Mena Barreto.

2. Antecedentes.
 2.1 – Os Caceteiros
 Os Caceteiros, também conhecidos como “Cerca-igrejas”, eram pessoas simples, moradores de sítios e fazendas do Cariri, afamados por manusearem com destreza, técnica e perícia um bastão de madeira nos combates que exigiam corpo a corpo. No do século XIX, foi muito comum o uso dos Caceteiros como grupo paramilitar na proteção das cidades ou em revoluções devido à escassez e dificuldades na aquisição de armas de fogo. (01) Era uma terrível e assustadora arma usada por eles, tanto para defesa pessoal como para guerra,  fabricada de várias maneiras, conforme afirma Gustavo Barroso: “Quirim é o cacete meio curto, feito de uma vergôntea de duro e fortíssimo jucá, assada, de canela de veado, cheia de estrias, de negra maçaranduba ou coração de negro” (02).
Uma das primeiras vezes em que se têm notícias da utilização desse contingente como grupo paramilitar ocorreu na Confederação do Equador em 1824 pelo Capitão-de-Ordens Joaquim Pinto Madeira. No combate de Picada, os Caceteiros formando uma espécie de infantaria dizimaram ferozmente os adversários com certeiros golpes desse bordão no crânio ou esfacelando ossos onde quer que atingissemcusados:       . Têm-se notícias da presença de 500 Caceteiros na Guerra do Paraguai em 1865 (02)
Um fato bastante interessante é quando os Caceteiros se transformavam em “Cerca-Igrejas”, espécie de defensores ou guardas da religiosidade popular. Bastava qualquer ameaça que pairasse sobre a Igreja, mesmo infundada, eles se reuniam autônima e independentemente e lá estavam como guardiãs da fé, defendendo sua crença e sua religiosidade.

2.2. - Um Medo Coletivo
 A mudança intelectual sofrida pela Europa nos princípios do século XIX, foi profunda demais para ser aceita repentinamente nos cafundós do nordeste brasileiro.
As grandes transformações vindas com a Revolução Francesa, em 1789, apregoando a igualdade, fraternidade e liberdade, impactaram violentamente aqui no Brasil onde imperava ainda a escravidão.
Outro lema proposto na Revolução era o banimento por completo da escuridão intelectual reinante no planeta. Em plena efervescência do positivismo francês, difundia-se o racionalismo e se sugeria o fim das tolas crendices religiosas impostas principalmente pela Igreja Católica, a grande responsável pelo atraso científico do mundo. Existiam pensadores que propunham, até, a troca do catolicismo pelo culto à racionalidade. (03). Chegou-se ao exagero de sugerir que a imagem de Nossa Senhora de “Notre Dame” fosse substituída pela Deusa Razão na cidade de Paris. (04).
No Cariri essa nova filosofia chegou de forma deturpada, gerando receio que tais heresias se repetissem por aqui.
O Brasil evidentemente não ficaria imune às transformações ocorrida na França, posto que nossa elite era educada na Europa e a França ditava a moda e costumes daquele tempo. Daí que em 1821 houve várias manifestações, no sul do país e, no nordeste, em Pernambuco, clamando por uma constituinte que viesse mudar o quadro social da nação.
Tal movimento político se espalhou no interior do Ceará. Talvez pela similaridade com os lemas da Revolução Francesa, o povo, sem muita instrução escolar, interpretou erroneamente as noticias chegadas. Em pouco tempo, corria de boca em boca a inverossímil notícia de que um grupo de ateus pretendia retirar, do altar da matriz do Crato, a imagem de Nossa Senhora da Penha e por, em seu lugar, uma prostituta de nome Úrsula!
Ocorreu que no dia 05 de agosto de 1821, celebrava-se, no Crato, uma missa de ação de graça pelo regime constitucional, quando a igreja foi invadida pelos “cabras” da serra de São Pedro, armados de cacetes, enxadas e foices, com o propósito de impedir que a Santa fosse dali retirada (05). Na ocasião houve brigas e várias pessoas saíram feridas.
O fanatismo religioso no Cariri era tão forte a ponto dos “Cerca-Igrejas” não dependerem do ponto de vista oficial da Igreja ou de líderes políticos para tomarem suas decisões. Auto se denominavam de “Protetores da Fé”, “Guardiãs do Templo” e defendiam per si a bandeira de suas próprias crenças.
É bem verdade que essa autonomia tinha origem na desconfiança dos populares contra os padres. Os sacerdotes, salvo honrosas exceções, viviam em concubinatos, amealhavam riquezas e durante bastante tempo apoiaram o regime escravocrata do Brasil. Há registro que as igrejas do Recife foram invadidas e se quebraram imagens de santos. “Nos municípios de Acarape e Quixeramobim, no Ceará, registram-se também, nos anos de 1874-1875, a invasão de templos católicos, e aí são rasgados livros de atas e quebrados móveis”. (06). Havia uma profunda mágoa na alma do povo contra os padres lazaristas franceses que abandonaram, com medo de morrerem, a cidade do Crato quando lá surgiu cólera morbus, em meados do século XIX, procedimento esse muito contrário aos ensinados por Jesus Cristo.
Um outro fato que veio servir de divisor de águas entre a igreja oficial e a popular foi o denominado “Milagres de Juazeiro”. Em 06 de março de 1889, na Igreja de Nossa Senhoras das Dores, quando o reverendo padre Cícero Romão ao dar comunhão à beata Maria de Araújo, a hóstia consagrada se transforma em sangue!(07) A notícia do milagre se espalhou rapidamente pelo sertão e a cidade passou a ser ponto de peregrinação e o sarcedote a ser venerado como santo pelos nordestinos. A Igreja oficial enviou várias comissões de inquérito para averiguação dos fatos e os considerou como embuste. Uma forte pressão foi exercida sobre o padre Cícero para que negasse a miraculosidade dos acontecimentos. A posição forte da Igreja revoltou os sertanejos que passaram a tê-la como inimiga.
Um bom exemplo dessa dicotomia ocorreu em Juazeiro do Norte em 15 de setembro de 1921. O vigário da cidade, Padre Esmeraldo, resolveu demolir uma das torres da igreja, por estar deteriorada, em péssimo estado de conservação, para reconstruí-la depois. Aos olhos dos Caceteiros ou “Cerca-Igrejas”, isso se constituía uma invasão profana à Casa de Deus! Como guardiões da fé, ali estavam para defenderem-na com sacrifico das próprias vidas! Afirma a escritora Amália Xavier: ”Armados de cacetes pensavam que deviam assim defender a casa de Nossa Senhora (...)” (08).
Via-se, então, que pouco a pouco a formação de um sistema autônomo protetor da fé popular. Sem qualquer comando, sem um local fixo, o grupo de Caceteiros surgia organizado e forte. Bastava um boato qualquer e eles se arvoram de um poder defensor da fé popular.

3-   O Dia do Massacre
 Após a morte do Padre Cícero ocorrida em 1934, aconteceu um processo inverso do que pensava a igreja católica: o número de fanáticos em Juazeiro do Norte aumentou assustadoramente!
Era freqüente a presença de beatos na calçada da igreja pregando o fim do mundo ou interpretando à sua maneira o que o patriarca de Juazeiro falara. A religiosidade popular aumentava de maneira impressionante.
Eis que um fato fez eclodir o velho medo coletivo da usurpação da Casa de Deus! Em 29 de setembro de 1934 (09), Monsenhor Pedro Esmeraldo, ao rezar missa, aproveitou o sermão para falar sobre o regime comunista e as recentes atrocidades que essa forma ateísta de governo vinha cometendo na Rússia. No ápice da empolgação de sua oratória, atentava aos tementes a Deus sobre uma possível destruição da Igreja por partes dos ateus comunistas! Agora era que a coragem dos romeiros estava à prova: expulsar os inimigos de Deus quando chegasse esse terrível momento!
E por essas fatalidades do destino, em meio a sua pregação, o padre Esmeraldo foi acometido de repentina dor de cabeça e caiu fulminado em cima do altar que celebrava a missa!
A estupefação popular foi enorme!Os fieis viam naquilo um aviso divino. O velho pesadelo da invasão à Casa de Deus veio à tona. Dr. Geraldo Menezes Barbosa retrata com maestria a sensação dos presentes:
 “Ficara, porém, seu sermão comentado entre os romeiros e sua morte, no altar como uma ação divina, um martirológio, a exigir dos fiéis uma represália corajosa contra a vinda dos comunistas. (...)” (10).
A morte do vigário, dois dias após a síncope sofrida na igreja, em circunstância tão inusitada foi o acicate para a junção do grupo dos “Cerca-Igrejas” na função de protetores da Morada da Mãe de Deus. Em pouco tempo foram-se aglutinando a frente da matriz homens armados de foices, enxadas e bastões sob o comando de um certo Venâncio “(...) chegando a se reunir, na aludida igreja, em número mais de 200 (11)”.
          Como um exército perfeitamente treinado e organizado, os Caceteiros de logo traçaram a estratégia a ser tomada. Um grupo seleto circundaria a imagem da Santa como um rosário dentro da igreja e os demais permaneceriam nas portas impedindo a passagem de quem quer que fosse. Ninguém saía ou entrava sem a permissão dos chefes.
          É evidente que tal aglomeração nas dependências da matriz tornara-se inoportuna para a população local que reclamava do aumento de furto e desordem na cidade. Acusava-se, até, do uso de maconha por parte de alguns invasores.
          Em que pese os constantes rogos das autoridades locais, os Caceteiros se mantinha irresolutos na sua decisão. Intitulavam-se de “(...) Leões e leões não recuam diante do perigo!” (12).
          Certa ocasião, o próprio Padre Juvenal Colares Maia, substituto do falecido vigário, tentou dialogar com os invasores e foi agredido violentamente. De outra feita, Preto Júlio, Guarda Civil conhecidíssimo na cidade, foi confabular com os Caceteiros e saiu gravemente ferido.
          Diante da situação insustentável, o prefeito José Geraldo da Cruz se viu obrigado a solicitar a intervenção policial. Dirigiu um telegrama relatando os fatos ao Secretário de Polícia e este autorizou ao comandante do batalhão a tomar as providências cabíveis.
          Seguindo ordens, o capitão da polícia Osimo de Alencar Lima, juntamente com o colega também Capitão Firmino de Araújo, reuniu uma comissão de civis e tentaram convencer os ocupantes da inutilidade de suas ações. Em dado momento, porém, um fanático investiu com uma foice sobre o civil Antonio Braz que não morreu graça a interferência do capitão Firmino. O diálogo se tornara inútil. De Fortaleza emanou um telegrama do Secretário de Polícia exigindo a expulsão dos invasores. Que fosse evacuada a igreja ocupada por mais de dois meses. Uma volante policial comandada pelo sargento Mena Barreto, outro sargento, um cabo e doze soldados, armados de fuzis, dirigiram-se ao templo com o intuito de promover sua desocupação.
Mesmo diante da presença dos militares, não demonstrando medo, os ocupantes vociferavam:
-“Viva a meu Padim Padre Cícero e a Virgem Santa Maria Mãe de Deus!”.
O clima emocional foi ficando paulatinamente mais quente. De um lado se encontrava a volante policial pronta para cumprir a ordem recebida; do outro lado os Caceteiros em pé de guerra.
O sargento Mena Barreto vira para seus comandados e grita:
-“Acelerado!”
Ao penetrar na igreja o corpo policial se viu acuado diante da ameaça dos “Cerca-Igrejas” que partiram decididos em cima dos soldados. Diante do perigo iminente, o sargento ordenou que fosse disparada uma saraivada de balas para o alto com o intuito de amedrontar os agressores.
Os fanáticos ao notarem que ninguém havia sido atingido, viram nisso uma intervenção de Deus e aos gritos de “Vivas a meu Padim!” investiram ferozmente contra os policiais. Sem alternativa, o sargento Mena Barreto bradou:
-“Fogo! Fogo!”
Os corpos dos insurgentes começaram a cair e o sangue a salpicar pelas paredes da capela. Gritos de desesperos foram ouvidos por todo lado e numa correria desordenada abandonando a igreja.
Horas depois, já alta noite, um caminhão recolhia os mortos e os levava para serem enterrados numa cova coletiva no cemitério local. O número de mortos nunca foi oficialmente informado. Porém, há registro de seis ou sete óbitos e vários feridos (12).
Os Caceteiros se manifestaram novamente no massacre ao Capitão José Bezerra em 1936 e a ojeriza do povo pelo clero oficial culminou com a morte do Monsenhor Joviniano Barreto em 1950, na cidade de Juazeiro do Norte, assassinado brutalmente por um louco alcunhado Pé de Galo.

NOTAS
01 – José de Figueiredo Filho – História do Cariri volume 3, capítulo 11, pagina 21 – Faculdade de Filosofia do Crato – Crato-Ce 1966 ao  relatar sobre a Guerra de Pinto Madeira diz:
“(...) grosso contingente de sertanejos, os quais, a falta de arma de            fogo, em grande parte se muniam de cacetes em cujo manejo eram             afamadamente amestrados”. (...)

02-       Jornal “O Araripe”, apud José Figueiredo Filho & Irineu Pinheiro –           Cidade do Crato pág.33, MEC Rio de Janeiro.

03-       Gustavo /barroso – Terra do sol – página 121- 6º Edição - Imprensa          Universitária do Ceará – 1962

04-       Irineu Pinheiro e José Figueiredo Filho – Cidade do Crato página 27 -      Ministério da Educação e Cultura1955:
“Não fez subir a Revolução Francesa ao altar de Notre Dame uma            beleza de teatro, que simboliza a razão?”

05-       Irineu Pinheiro, o.c.pg.26

06 – Rui Faço – Cangaceiros e Fanáticos gênese e lutas- 6º Edição pg.40,             Ed.UFC civilização Brasileira-Rio de Janeiro 1980, apud Eusébio          de Sousa, História militar do Ceará, Fortaleza 1950, pg. 293.

07 – Amália Xavier de Oliveira, Dados que Marcam a Vida do Padre Cícero Romão pg.09, Juazeiro do Norte 1983 (Brochura).

08 -  Amália Xavier de Oliveira, o Padre Cícero que eu conheci pg.266- Rio    de Janeiro 1969. Obs. Não consta no livro o nome da editora.

09 – M. Diniz – Mistérios do Joazeiro – Historia completa do Padre Cícero          Romão Batista do Joazeiro do Ceará - pg. 141- Tipografia do “O     Joazeiro”-        Joazeiro –Ceará

10-       Geraldo Menezes Barbosa, História do Padre Cícero ao alcance de todos pg.127- Edições ICVC- Juazeiro do Norte-Ce 1992

11 –     M.Diniz, o.c.pg.142
12-       M.Diniz, o.c.pg142

12 – Sobre a quantidade de mortos verificados na chacina não há uma certeza absoluta. Geraldo Menezes Barbosa não se aventura a        informar a quantidade posto que houve mortos na igreja e outros   baleados foram falecer brejo adentro. Já Padre Néri Feitosa in    “Monsenhor Joviniano   Barreto” pg.17 – Poliantéia –Cadernos do  Cariri Série Biografia nº. 5   1966    Crato-Ce é categórico ao  afirmar que pereceram sete pessoas”“.


BIBLIOGRAFIA
Barbosa, Geraldo Menezes. A História do Padre Cícero ao alcance de todos. Juazeiro do Norte-Ce. ICVC 1992.
Barroso, Gustavo. Terra de sol. Fortaleza-Ce. 1962- Imprensa Oficial do Ceará.
Dinis, M. Mistérios do joazeiro. Juazeiro –ceará 1935 – Tipografia do “O Joazeiro”
Facó, Rui. Cangaceiros e fanáticos. Rio de Janeiro 1980.Editora Civilização Brasileira S/A
Filho, J.de Figueiredo. História do cariri vol3 cap. 10° ao 14°. Crato-Ce 1966.      Faculdade de Filosofia do Crato.
- Filho, José de Figueiredo & Pinheiro, Irineu. Cidade do Crato. Crato-    Ce 1955  Ministério de Educação e Cultura.
Feitosa, Padre Néri. Monsenhor Joviniano Barreto. Crato-Ce. 1966
Oliveira, Amália Xavier. Dados que marcam a vida do padre Cícero Romão Batista. Juazeiro do Norte-ce 1983
Oliveira, Amália Xavier. O padre Cícero que eu conheci. Rio de Janeiro 1969.

Eis uma das torres que o Pe. Esmeraldo pretendia demolir
E  foi impedido pelos  Caceteiros

sábado, 18 de junho de 2011

Padre Cícero visto pelos sábios

PADRE CÍCERO VISTO PELOS SÁBIOS - I
Suenon Bastos Mota

Mantenho valiosos apontamentos oriundos de estudos e pesquisas procedidos pelo saudoso Desembargador Valdetário Mota Pinheiro Mota a respeito de conceitos emitidos por sábios, estudiosos e escritores sobre o Padre Cícero. Percebe-se que o Desembargador Valdetário, então Juiz de Direito da comarca de Juazeiro do Norte, no período de 1958 a 1962, pretendia ampliar essa pesquisa, para publicar trabalho mais completo a respeito do Patriarca do Nordeste.
Os apontamentos deixados pelo conceituado magistrado merecem ser dados ao conhecimento do público. É o que se passa a fazer:
O escritor Jáder de Carvalho, identificando Padre Cícero como pregador de ideias religiosas que só recomendavam o bem, narra em Aldeota – pág. 49, “que Vicente e Chicó, personagens do romance, ouviram do Padre Cícero, na benção vespertina, falar contra o furto, contra a mentira, lembrando o levita que sua missão na terra era espalhar o bem e plantar a paz entre os homens”.
Moesia Rolim, em artigo publicado no Jornal o Povo, edição de 13.11.34, referindo-se ao grande apóstolo de Juazeiro, diz que o mesmo “pregou e ensinou o evangelho da ação benfazeja e da bondade pregada como uma virtude cristã, concluindo que a palavra do Padre era ungida de doçura e repassada de bondade, deixando cair parábolas de redenção”.
Segundo o Professor Antônio Martins Filho, o Padre Cícero humilde, virtuoso, abnegado e bom, preenchia todas as suas horas com orações, com pregações ou com o trato de outros misteres que se relacionassem com a salvação de outros  fiais ( in O Ceará, 2ª Edição, pág.285).
Jáder de Carvalho, prefaciando o livro de Otacílio Anselmo, O Padre Cícero: Mito e Realidade, disse que “o Padre era amigo dos paroquianos e se desvelava em cuidados e conselhos, seguindo passo a passo as ovelhas do repanho. Erige-se, aos poucos, a fama de bom, de caridoso, de conselheiro é pastor e pai.”(Jornal O Povo, edição de 19.02.66).
O escritor e historiador Abelardo Montenegro, em História do Fanatismo Religioso do Ceará, pág. 50, proclama que Padre Cícero e José Marrocos levaram vida ilibada, tinham  espírito do despreendimento e praticavam atos de amor fraternal da mais pura caridade cristã.
Padre Cícero, missionário do bem, no conceito  de Padre Antônio Vieira, o escritor cearense, “foi sacerdade como Cristo com corpo de homem e alma de santo, levita humilde, obediente e puro, crucificado no lenho da injustiça pela incompreensão e inveja de seus próprios irmãos de ofício”.
 
PADRE CÍCERO VISTO PELOS SÁBIOS - II
Suenon Bastos Mota

Retorno aos apontamentos e pesquisas deixados pelo Desembargado Valdtário Pinheiro Mota, reveladores de testemunhos registrados por renomados estudiosos  sobre  Padre Cícero, o inesquecível sacerdote de Juazeiro, que é sempre definido como possuidor de virtudes excepcionais.
De uma crônica escrita por Rachel de Queiroz, no ano de 1944, tem destaque a narrativa  seguinte: “Na hora da benção à multidão o Padre Cícero aconselhava,  quem matou, não mate mais; quem roubou não roube mais, quem tomou mulher alheia, entregue a mulher alheia e faça penitência. Não briguem, não bebam, não façam desordem; que a luz  de Nosso Senhor não gosta de assassinos e nem de desordeiros” (do Livro- A Donzela  de Moura Torta, pág. 37).
Em trabalho publicado na Revista Itaytera (Crato), Vol. IV, Pág. 189, o eminente Paulo Elpídio de Menezes, identifica o Patriarca de Juazeiro e do Nordeste, na primeira fase de sua vida religiosa, como taciturno, sem vaidade, desprendido, recebendo esmolas em vez de dinheiro pelos sacramentos ministrados, com sua batina rota. Portador de qualidades tão encarecidas pelo povo, não foi difícil Padre Cícero se tornar merecedor  do halo de santidade que ainda lhe  abroquela a alma.
De um artigo de Dom José Delgado, Arcebispo de Fortaleza, depois de destacar as calúnias de que Padre Cícero foi vitima, faz destacar: “ A suspensão pela Igreja, como também a condenação, não significam um pronunciamento infalível, e sim uma medida disciplinar. No caso de Juazeiro, as penas se tornaram muito mais severas em consequência da revolução de 1914, em que foi exageradamente envolvida a responsabilidade do Padre Cícero.  Nem mesmo essas penas representam Juízo inapelável  sobre as suas virtudes. Faz-se necessário ter diante  dos olhos o que  realmente esteve  sempre diante  dos olhos do discutido sacerdote. Condenado e suspenso, ele se consolava  recordando iguais provocações que tinham sofrido grandes santos,  como Santa Joana D'Arc que, depois  de horrivelmente injustiçada, foi reconhecida inocente  e elevada às honras dos altares. Com medo de Roma os seus melhores amigos e colegas o abandonaram. Seu único arrimo foi o povo  bom do sertão, mais ingênuo e capaz de ajudá-lo como cumpria. Apesar de tudo, nunca se desviou da fidelidade ao Evangelho. Guardou  e fez guardar o patrimônio  da doutrina cristã “(Jornal A Fortaleza, edição de 10.03.63).
Lourença Filho, afamado educador, achou valioso consignar no seu livro “ Juazeiro do Padre Cícero”, pág. 50, que em  Juazeiro lhe venderam uma oração do Padre, cuja tônica era um apelo à paciência.
O  próprio Desembargado Valdetário registrou que não há exagero em dizer que  muita gente tem  o Padre Cícero como um varão  privilegiado e há quem suponha seja ele uma figura de Abraão. Ao patriarca bíblico disse o Senhor, como teria dito séculos depois, ao Padre Cícero, filho do Crato: “ Sai  de tua terra e de tua parentela e vem para a terra  que eu vou  te mostra e eu farei sair de ti(de tua bênção, diríamos) um grande povo e te abençoarei e engrandecerei o teu nome e será bendito” (Gênesis, XII, 1 e 2).

PADRE CÍCERO VISTO PELOS SÁBIOS - III

Suenon Bastos Mota

Volto a dar publicidade aos estudos  e anotações a respeito do Padre Cícero vistos pelos sábios, os quais foram anotados pelo eminente Desembargador Valdetário Pinheiro Mota, ex-Juiz de Direito da comarca de Juazeiro do Norte, a Meca do Cariri, onde continua sempre lembrado pela postura de retidão, humanidade e amante da Justiça como sempre foi.
Padre Cícero, amante da paz e da ordem procurou sempre orientar os fiés para manter obediência às autoridades civis e eclesiásticas. Tal como o bom pastor, descrito em alegoria  no evangelho(S. João, II, I a 5), procurou  sempre encaminhar  os que lhe procuravam e ouviam ao mesmo rebanho, que é a Igreja.
O jornalista Lauro Reis, em 1934 inseriu no seu livro - “Padre Cícero” o seguinte comentário alusivo à emancipação da comuna juazeirense: “entrementes  o  Padre trabalhava junto aos chefes dos municípios sul-cearenses para que os movimentos armados, que sempre tinham por finalidade a deposição de um Prefeito, fossem relegados ao esquecimento pudesse a paz trazer o progresso e o sossego ao seio da família caririense”. Registrou, ainda, o sobredito jornalista, na mesma obra, pág. 44, que “o Patriarca, no ansejo da festa da autonomia, conseguiu dos chefes municipais da região um pacto de paz cujo resultado foi a cessação das desordens”.
O Padre Manoel Macêdo (falecido com o título de Monsenhor) que foi destemido  no combate à união do Padre Cícero com  Dr. Floro Bartolomeu, reconheceu no Patriarca a liberdade de opinião de apreciação, como prova do respeito aos direitos humanos. O dito Padre Manoel Macêdo, em Juazeiro em Foco,pág. 86, narra que  Padre Cícero lembrava “que que ver e calar era  o cárcere dos que não se conformavam em apoiar  os caprichos dos mandões”.
José Ferreira de Menezes, velho e conceituado advogado do Cariri, que conviveu na intimidade do Padre Cícero, servindo-lhe como competente secretário, costumava repetir que aquele  sacerdote aconselhava aos que revelavam tendência para delinquência,  que não entrassem na senda do crime pela  porta da vingança.
Da mesma forma o nonagenário José Bernardino Leite, antigo advogado do Estado e que residiu em Barbalha  e em Juazeiro, prestou serviços profissionais ao Padre Cícero, em declarações consignadas no Jornal O Povo, edição de 05.09.64, testemunhou que: “ficou conhecendo de perto as suas virtudes e bondades de seu coração”.
O Dr. Fernandes Távora, estudando a personalidade  do Padre Cícero, em trabalho publicado na imprensa local, expediu conceitos como estes: I – Não recebendo  qualquer importância pelos serviços eclesiásticos vivia como verdadeiro apóstolo, das pequenas dádivas de gêneros alimentícios que os fiéis espontaneamente entregavam à caseira  e suas mãos não tocavam em dinheiro; II – O Padre era  homem de ótimas qualidades. Dava esmolas, protegia aos que lhe pediam amparo contra os poderosos, comovia-se  ante a perseguição aos judeus  e aconselhava  a todos a ordem, a honra e o trabalho; III -  as suas  ordens  aos romeiros eram terminantes,  no sentido de respeitarem a propriedade e a honra das famílias; IV – Com sua  autoridade moral evitou graves danos às populações meridionais do Estado.
No conceituar do estudioso e pesquisador Padre Neri Feitosa, “Padre Cícero era o enviado de Deus e representava  os anseios do povo de Deus. Ele é que era aceito, amado, amparado”(Padre Cícero e a Opção dos Pobres, pág.44).
Ante o que realizou e em razão dos extraordinários dons  do inesquecível  Patriarca do Nordeste e de sua permanente fidelidade à doutrina cristã, permito-me recorrer ao Livro Sagrado, para repetir o que disse Nicodemos ao Rabi  da Galiléia: “Meste, sabemos que  foste enviado por Deus para ensinar, porque  ninguém pode fazer estes milagres que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (S. João, III,2).
_________________
Obs.: Trabalhos publicados no Jornal Tribuna do Ceará, edições de 13.07.1997, 20.07.1997 e 27.07.1997, respectivamente. Suenon Bastos Mota é desembargador, foi Juiz de Direito em Juazeiro do Norte, filho do saudoso Desembargador Valdetário Pinheiro Mota.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Decreto de 1939 muda nomes de ruas de Juazeiro

Prefeitura Municipal de Joazeiro
ESTADO DO CEARÁ
Decreto nº 29, de 4 de outubro de 1939
Fixa os nomes das ruas, travessas, praças, largos, becos e   subúrbios   desta  cidade.

O cidadão Antônio Pita, Prefeito deste Município, usando das atribuições previstas no Art. 12 do decreto-lei, federal n. 1.302 de 8 de abril da 1939, e,
- considerando que os nomes dados, em parte, de modo errôneo, a ruas, praças, largos, travessas, becos e subúrbios desta cidade não obedecem a uma determinação legal e existem em virtude do costume antigo;
- considerando que pode ocasionar confusões nos serviços de Administração desta cidade ou de suas respectivas correspondências particulares, a existência de ruas e praças com nomes semelhantes, como se verifica na mesma;
- considerando que certos nomes empregados para designar ruas ou praças desta cidade estão em desacordo com a técnica do urbanismo moderno e precisam ser substituídos;
- considerando que em tais casos impõe-se à Administração deste   Município a necessidade de fazer cessarem estas irregularidades,
Decreta:
Art. 1º - As ruas, praças, largos, travessas, bêcos e subúrbios desta cidade passam a ser designados pelos nomes seguintes, dos quais muitos já eram adotados pela denominação usual anterior:                                                                           
Rua São José, Rua Padre Cícero, Rua São Pedro, Rua Padre Pedro Ribeiro (antiga Rua da Matriz), Avenida Dr. Floro Bartolomeu, (antiga Rua Nova), Rua Dom Pedro II (antiga Rua do Cruzeiro), Rua São Francisco, Rua da Conceição, Rua Santa Luzia, Rua São Sebastião, Rua São João, Rua Santa Clara, Rua Santo Antônio, Rua José do Alencar (antiga Rua do Limoeiro), Rua José Marrocos, Rua Duque de Caxias (antiga Rua dos Passos), Rua Santa Rosa, Rua Santa Cecília, Rua do Rosário, Rua das Dores, Rua São Marcos, Rua Caramuru (antiga Rua da Fé), Rua Dr. Leandro Bezerra (antiga Rua do Salgadinho), Rua São Paulo, Rua 7 de Setembro (antiga Rua da Gloria), Rua Dr. Francisco Sá (antiga Rua São Miguel), Rua São Luiz, Rua São Bento, Rui São Benedito, Rua São Bernardo, Rua Santa Izabel, Rua Santa Teresa, Rua São Domingos, Rua São Jorge, Rua Dom João VI (ao norte da Clayton), Rua 22 de Julho (antiga Rua do Seminário), Rua Santa Ana, Rua Brasil (antiga Rua Todos os Santos), Rua Santos Dumont (antiga Rua do Horto), Rua São Roque, Rua D. Pedro I (antiga Rua da Boa Vista), Rua Machado de Assis (antiga Rua da Luz), Rua São Cândido, Rua Santo Agostinho, Rua São Joaquim, Praça Almirante Alexandrino, Praça da Feira Nova, Praça dos Militares (ao norte do Quartel da Policiai), Praça Carlos Gomes, Praça 24 de Março, Praça Rui Barbosa (antiga Praça São Francisco), Praça Araújo Viana (antiga Praça São Luiz), Praça Soares Moreno (antiga Praça Santa Ana), Praça dos Bandeirante (antiga Praça Santo Antônio), Praça São Vicente, Praça da Independência (antiga Praça da Glória), Praça Monsenhor Pedro Esmeraldo (antiga Praça da Matriz e Rua do Brejo), Largo da Saudade (antiga Rua do Cemitério), Travessa Isabel da Luz, Travessa Mestre Pelúsio, Travessa José Leandro, Travessa Osvaldo Cruz, Travessa dos Guaranis (tida como parte da Rua São Joaquim), Travessa Tiradentes (antiga Rua da Cacimba Nova), Travessa Castro Alves (conhecida por Travessa 7 de  Setembro), Praça dos Salesianos (antiga Praça Pio X), Travessa Pinto Madeira (antiga Rua da Aurora), Travessa dos Inválidos, Beco dos Melos (antiga Rua da União), Beco do Cemitério. Avenida Presidente Getúlio Vargas (entre a capela de São Vicente e a Rua de Santa Luzia), e subúrbios denominados: Horto, Coqueiros (antiga Boca das Cobras), Malvas, Timbaúba e Matadouro.
Art. 2º - Este decreto entrará em vigor na data de sua  publicação, revogadas   as disposições em contrário.
Paço da Prefeitura Municipal do Juazeiro,  em 4 de outubro de 1939.

Antônio Pita
Prefeito Municipal

Manoel Pereira Dinis
Secretário

Breve história da Medicina em Juazeiro do Norte - Por . Napoleão Tavares Neves

     Na década de 50 a medicina do Juazeiro era assim: havia apenas o Hospital-Maternidade São Lucas dirigido pela Sociedade São Francisco das Chagas integrada por senhoras da sociedade, entidade sem fins lucrativos. O seu corpo clínico era este: 1) Dr. Mário Malzoni, Diretor, Clínico e Anestesiologista. Foi ele o 1° anestesiologista do Cariri. 2) Dr. Possidônio da Silva Bem, obstetra, ex-Prefeito da cidade ao tempo da Ditadura Vargas. No início da sua vida médica clinicou em Bezerros, Pernambuco, quando foi eleito Deputado Estadual e como Presidente da Assembléia Legislativa chegou a ocupar o cargo de Governador, acidentalmente e apenas por algumas horas. 3) Dr. Mozart Cardoso de Alencar, clínico, excelente poeta, repentista, escritor. Rimava o dia todo, inclusive, escrevia receitas rimadas, quando queria. Inteligência fulgurante, era barítono de invejável voz. Foi Prefeito de Juazeiro do Norte. 4) Dr. José Mauro Castelo Branco Sampaio, obstetra e cirurgião, homem carismático que foi eleito Prefeito Municipal de Juazeiro por duas vezes, afora Deputado Federal por quatro legislaturas. Era filho do Dr. Leão Sampaio que, como Deputado Federal, conseguiu as verbas para construção do portentoso Hospital São Lucas. 5) Dr. Carlos Irlando Pereira de Matos, primeiro traumatologista do Cariri. 6) Dr. Hamilton Esmeraldo Alves, clínico e obstetra. Era Médico do Posto de Tracoma local, após especialização no Rio de Janeiro. 7) Dr. Geneflides Matos, Ginecologista e Obstetra. 8) Dr. Francisco Augusto Tavares, "Dr. Ney", primeiro Pediatra do Cariri. Boêmio, era também bom orador. 9) Dr. Hildegardo Belém de Figueiredo, cirurgião geral e primeiro Médico do Cariri a estagiar nos Estados Unidos. Era um polivalente. 10) Dr. Antônio Conserva Feitosa, clínico. Era mais político do que Médico. Carismático, foi Prefeito de Juazeiro por três vezes e Deputado Estadual por três legislaturas.
HAVIA AINDA: 11) Dr. Manoel Belém de Figueiredo, Sanitarista e boticário. 12) Dr. Jussiêr Figueiredo, clínico. 
ALGUNS ANOS DEPOIS CHEGARAM: 13) Dr. João Tavares Neves, ginecologista e obstetra. 14) Dr. Odílio Camilo da Silva, cirurgião e traumatologista. 15) Dr. Ailton Gomes, Pediatra. 16) Dr. José Newton Gomes, cirurgião geral. Estes quatro últimos Médicos fundaram o Pronto Socorro do Juazeiro ou Policlínica do Juazeiro, cujo Corpo Clínico foi logo acrescido do: 17) Dr. Antonio Gilson Sampaio Coelho, anestesiologista. e MAIS TARDE CHEGARAM A JUAZEIRO: 18) Dr. Eduardo Teixeira Lopes, cardiologista e depois radiologista. 19) Dr. Luiz Soares Couto, obstetra clínico. 20) Dr. Hugo Santana de Figueiredo, oftalmologista e primeiro Médico caririense a especializar-se em Barcelona-Espanha. Portanto, em largos traços, eis o panorama médico-hospitalar de Juazeiro nas décadas de 50 e 60. .

(Napoleão Tavares é Médico, Escritor,  Professor Honoris Causa da URCA)


DRA. JULIETA BRAZ, NOSSA PRIMEIRA MÉDICA. Esta é a  Dra. Maria Julieta Braz a primeira médica nascida em Juazeiro do Norte (06.01.1924), filha de Antônio Braz de Oliveira e  Luzia Braz de Oliveira. Ainda jovem, conheceu o empresário João de Souza Menezes, com quem se casou indo morar em Fortaleza. Deste casamento nasceram os filhos Antônio Péricles Braz Menezes (Odontólogo), residente em Juazeiro, e Maria de Fátima Braz Menezes (Médica Pediatra), residente em São Paulo. Dra. Julieta, nunca exerceu a profissão em sua terra natal, indo logo depois de formada, trabalhar na cidade de Guaramiranga-CE, numa Campanha de Educação Rural. Depois foi residir em São Luiz–Maranhão, onde permaneceu por 30 anos, trabalhando na Maternidade Infantil daquele capital e sendo ainda médica da Prefeitura.   Há dez anos, aposentada, retornou a sua terra natal onde vive sempre sorridente e possuidora de uma lucidez invejável, desfrutando do carinho da família e dos amigos. (Foto e texto de João Carlos R. de Menezes).